terça-feira, 15 de março de 2011

Mortos por terremoto e tsunami passam de 3,3 mil no Japão

Segundo boletim oficial, mais de 6,7 mil estão desaparecidos; equipes seguem na busca por sobreviventes


Subiu para 3.373 o número de mortes causadas pelo terremoto e pelo tsunami que atingiram o Japão no dia 11 de março, segundo boletim oficial divulgado nesta terça-feira. De acordo com o governo do país, 6.746 estão desaparecidos.

Estimativas indicam que o número de vítimas fatais pode ultrapassar 10 mil. Mais de 500 mil pessoas estão desabrigadas, enquanto dois milhões de residências permanecem sem eletricidade e quase o mesmo número, sem água.

As equipes de resgate continuam buscando sobreviventes. Nesta terça-feira, uma mulher de 70 anos foi resgatada com vida, quatro dias após o terremoto.

Equipes procuram por sobreviventes em Ofunato.

Segundo informações do site do jornal Asahi, a mulher foi resgatada na cidade litorânea de Otsuchi, na província de Iwate. O local foi destruído pelo tsunami que atingiu a região após o tremor de terra.

A idosa estava consciente e foi hospitalizada imediatamente após o resgate. Ela tinha apenas hipotermia, mas não corre risco de morte.

Japão. Radioactividade é 10 vezes superior ao normal




Há 150 pessoas em observação e 23 em processo de descontaminação, informa a Agência Atómica Internacional.


A fuga de substâncias de radioactivas na central nuclear de Fukushima Daiichi foi confirmada hoje pela Agência Atómica Internacional. O acidente é de nível 6 de gravidade, numa escala de 7. O contentor número quatro apresenta agora fissuras de oito metros de largura.
A agência mantém no entanto a posição de que é "muito improvável" que se atinja o grau de gravidade de Chernobyl. O governo japonês pede à população que abandone o local.

Uma terceira explosão na central nuclear de Fukushima Daiichi desencadeou ontem uma crise nuclear no Japão - na sequência do sismo de 8,9 na escala de Richter que, na sexta-feira, abalou o gigante asiático e provocou um tsunami que varreu a costa noroeste do país. A juntar aos dois reactores da central a norte de Tóquio, que não estão a ser refrigerados convenientemente, o incidente de ontem num terceiro reactor provocou 11 feridos e veio aumentar o receio de que a radiação libertada para a atmosfera venha a provocar um desastre nuclear de grande dimensão.

O sismo mais forte dos últimos 140 anos pôs o Japão de joelhos e uma potencial crise nuclear continua no centro das atenções. As autoridades japonesas continuam a tentar refrigerar os reactores com água salgada para impedir que os níveis de radiação aumentem, mas mantêm que, para já, a situação está controlada. Contudo, ontem a Autoridade de Segurança Nuclear (ASN) de França veio alertar para a gravidade do incidente, que os especialistas dizem estar a ser diminuída pelo governo. Na escala de classificação de acidentes nucleares (de 1 a 7), a agência nuclear nipónica coloca estas explosões no nível quatro. "O nível quatro é sério. Mas nós achamos que este [incidente] se situa no nível cinco ou talvez seis", sublinhou André-Claude Lacoste, presidente da ASN.

"Mais perigoso do que [o acidente de] Three Miles Island, sem chegar [ao nível] de Chernobyl" foi a expressão usada por Lacoste para classificar o incidente de Fukushima. O acidente de Three Miles Island remonta a 1979, quando o reactor número dois dessa central nuclear na Pensilvânia derreteu e provocou o pior acidente do género na história dos EUA. Os níveis de radioactividade subiram oito vezes acima do nível mínimo letal. Nos dois anos seguintes foi registado um nível elevado de mortalidade infantil nas comunidades próximas da central. O incidente é tido como o principal responsável pela redução do número de centrais nucleares construídas nas décadas seguintes em todo o mundo.

Parece certo que a crise nuclear japonesa não se revestirá das proporções do desastre de Chernobyl - o desastre na central nuclear ucraniana (então na URSS) em 1986 provocou a libertação de material radioactivo 400 vezes superior ao que foi libertado pela bomba atómica que atingiu Hiroshima na II Guerra Mundial.

Para além da ANS francesa, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) veio ontem referir que o acidente no complexo nuclear japonês dificilmente atingirá essas proporções, sublinhando que há diferenças fulcrais entre a estrutura e o desenho dos reactores da central da antiga União Soviética e os do complexo japonês.

Desde sexta-feira, as comparações deste incidente com Chernobyl têm-se multiplicado, sobretudo devido aos níveis anormais de radiação que poderão ser libertados para a atmosfera. Depois da explosão do primeiro reactor nuclear de Fukushima, as autoridades começaram a evacuar os cerca de 185 mil habitantes próximos da central, dando início à distribuição de 230 mil unidades de iodo estável nos abrigos improvisados, que ajudam a proteger contra o cancro na tiróide provocado pela exposição à radiação. Contudo, a AIEA informava ontem que "o iodo ainda não foi administrado às pessoas" e que "a distribuição é uma medida de precaução". O nível de radiação em torno da central é, neste momento, oito vezes superior ao normal. Ainda assim, a agência e o comité científico da ONU dizem que, "de momento, do ponto de vista de saúde pública, em nenhum caso representa ameaça à vida". A explicação foi dada ontem por Malcolm Crick, da secretaria do comité, à agência EFE. "Não prevemos qualquer impacto na saúde humana para já", mas "a situação ainda é muito grave", adiantou.

Europa em prevenção O provérbio português ''gato escaldado de água fria tem medo'' é mais do que adequado em incidentes nucleares. Se Chernobyl e Three Miles Island potenciaram a diminuição do recurso à energia atómica na URSS e nos EUA, o mesmo parece estar a acontecer no Japão - e também na Europa. Ontem, Alemanha e Suíça foram os primeiros países do continente a repensar a sua estratégia nuclear como medida preventiva. A chanceler alemã, Angela Merkel, veio anunciar uma moratória de três meses na decisão já adoptada pelo governo de prolongar a vida das centrais nucleares do país. "Não há tabu algum no que toca à análise das condições de segurança", sublinhou Merkel. A Suíça também suspendeu os seus projectos nucleares por tempo indefinido.

Cronologia da tragédia no Japão

TÓQUIO — A seguir, os principais eventos da tragédia que marcou o Japão nos últimos dias (sempre hora local).

Sexta-feira, 11 de março:

- Um terremoto submarino de magnitude 8,9, um dos mais poderosos já registrados, atinge o litoral nordeste do Japão antes das 15h00, hora local. As autoridades emitem um alerta de tsunami.

- Um tsunami de 10 metros arrasa o litoral nordeste do Japão.

- Um primeiro balanço da polícia fala em mais de mil mortos e desaparecidos.

- Dezenas de réplicas abalam a região, algumas com magnitude 7.

- As autoridades anunciam que quatro usinas nucleares na área atingida pelo terremoto foram desativadas. Onze das quase 50 centrais param de produzir energia.

- Alerta de tsunami em todos os estados do Pacífico, da Oceania e da América Latina.

Sábado, 12 de março:

- O governo japonês ordena a evacuação das pessoas que moram nos arredores da usina Fukushima 1, onde o terremoto fez com que os sistemas de refrigeração falhassem, criando o receio de uma fusão.

- Explosão na usina nuclear Fukushima 1. O teto do prédio de contenção do reator 1 desaba. O acidente é catalogado como de nível 4 em 7 na Escala Internacional de Eventos Nucleares (INES, na sigla em inglês).

- O Japão mobiliza 100.000 militares para socorrer os habitantes e requesita ajuda à comunidade internacional, incluindo os militares americanos posicionados no país.

- Vídeos mostram a extensão dos danos causados pelo tsunami, que arrasou cidades e áreas rurais inteiras.

- Quatrocentos corpos são encontrados no porto de Rikuzentakata, e 300 numa praia de Sendai (província de Miyagi).

- O Serviço Meteorológico Americano anuncia que a força do terremoto moveu Honshu - a principal ilha japonesa - cerca de 2,4 metros.

Domingo, 13 de março:

- A operadora Tokyo Electric Power (TEPCO) não exclui que o combustível do reator número 2 tenha derretido devido à falha no sistema de resfriamento.

- O governo diz que 230.000 pessoas num raio de 20 km foram evacuadas da vizinhança dos reatores atingidos.

- A polícia da província de Miyagi, uma das mais atingidas pelo tsunami, afirma que o número de mortes pode superar 10.000 apenas nesta região.

- O primeiro-ministro Naoto Kan diz que o Japão enfrenta a pior crise desde o final da Segunda Guerra Mundial.

- O governo anuncia um racionamento de energia por causa do fechamento das usinas. Milhões de habitantes sofrem com a falta de água, energia e alimentos.

- Chegam as primeiras equipes de socorro da Austrália, Nova Zel&ândia, Coreia do Sul, Suíça e Grã-Bretanha.

Segunda-feira, 14 de março:

- Novo terremoto ocorre a 150 km de Tóquio com novo alerta de tsunami, que é logo cancelado.

- Ocorrem explosões no reator 3 de Fukushima 1, sem ocorrência de danos, segundo a Tokyo Electric Power (TEPCO). As barras do reator 2 chegama ficar totalmente expostas.

- Equipes de resgate encontram mais de 2.000 corpos na província de Miyagi.

- A ONU diz que 1,4 milhão de japoneses estão sem água potável e que mais de meio milhão já foram evacuados.

- O Serviço Geológico Americano corrige a magnitude do terremoto de sexta-feira para 9.

- A Bolsa de Tóquio cai 6,18%, arrastando outros mercados asiáticos. Os fabricantes de automóveis suspendem sua produção. O Banco Central do Japão injeta 131,6 bilhões de euros para facilitar o financiamento das empresas e estabilizar os mercados.

Terça-feira, dia 15 de março:

- Mais duas explosões e um incêndio ocorrem em Fukushima e os níveis de radiação atingem níves perigosos, obrigando o governo a extender a área de isolamento para 30 km ao redor da usina.

- O balanço oficial e parcial de mortos passa de 3.000, e o número de desaparecidos é de quase 7.000.

- O banco central do Japão injeta mais 70 bilhões de euros no sistema financeiro para apoiar a economia japonesa.

Projeto obriga governo a prestar contas sobre Fundo da Pobreza

Agência Câmara/PX

A Câmara analisa o Projeto de Lei Complementar 603/10, do deputado Moreira Mendes (PPS- RO), que inclui entre as obrigações do órgão gestor do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza a prestação de contas perante o Congresso Nacional.

Conforme a proposta, o governo deverá encaminhar anualmente ao Legislativo relatórios com as seguintes informações: o total de recursos do fundo; os critérios de alocação; e a execução das verbas.

Mendes lembra que a mudança na Lei Complementar 111/01, que regulamenta o fundo, permitirá que o Congresso cumpra uma de suas principais atribuições: a de fiscalizar os atos do Executivo.

Fundo

O Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza foi criado pela Emenda Constitucional 31, de 2000, com o objetivo de "viabilizar a todos os brasileiros acesso a níveis dignos de subsistência". Para isso, são previstas ações suplementares de nutrição, habitação, educação, saúde, reforço de renda familiar e outras.

No final do ano passado, os parlamentares promulgaram a Emenda Constitucional 67, que prorrogou por prazo indeterminado a vigência do fundo - anteriormente, o término estava marcado para 31 de dezembro de 2010.

Tramitação

A proposta, que tramita em regime de prioridade, será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para o plenário.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ao fundo do poço pelo crack, por Archimedes Marques

*Archimedes Marques

Não há outra droga que produza um declínio físico e mental maior para o seu usuário quanto o crack. O poder sobrenatural do crack é simplesmente horripilante e avassalador. Crack e desgraça são indissociáveis e quase palavras sinônimas. Relatos dos seus usuários e familiares, fatos policias diários e opiniões de especialistas sobre os efeitos e as conseqüências nefastas da droga podem ser resumidos em três palavras tão básicas quanto contundentes: sofrimento, degradação e morte.

As ocorrências no terreno familiar, social e criminal vão caminhando sempre em largas vertentes para dias piores. A vida vivida pelos envolvidos com o vício do crack parece sempre transpor os inimagináveis pesadelos.

Lançando um olhar no passado, o viciado, vê o rumo errado que tomou, mas dificilmente tem força de voltar atrás. Olhando ao futuro somente se lhe afigura a tumba, no entanto continua caminhando em sua direção. O seu presente é só o crack e, esse mal passa a ser o senhor do seu viver, o seu real transformador do bem para o mal, o destruidor da sua família, o aniquilador do seu bem maior.

O crack trás a morte em vida do seu usuário, arruína a vida dos seus familiares e vai deixando rastros de lágrimas, sangue e crimes de toda espécie na sua trajetória maligna.

O Brasil assistiu recentemente com imensa tristeza e pesar uma reportagem televisiva em que crianças recém nascidas de mães viciadas em crack, são também barbaramente atingidas pelos efeitos nefastos da droga. Nascem como se viciadas fossem, com crises de abstinências, com compulsão à droga, tremores, calafrios e com problemas físicos diversos, principalmente com lesões no cérebro que provavelmente os levarão às demências ou a outros tipos de problemas inerentes, ou seja, uma nova geração de vítimas do crack sem sequer ter consumido a droga por vontade própria. A maioria das mães drogadas também perde o instinto materno e termina doando os seus filhos debilitados.

A dimensão da tragédia do crack é difundida nos diversos Estados da Nação através de reportagens jornalísticas que comprovam o retrato devastador em todos os lugares possíveis e imagináveis aonde chegou o filho mortal da cocaína. O crack invadiu grandes e pequenas cidades, periferias e lugares de baixa a alta classe social, municípios, povoados, zona rural...

Não bastassem os tristes casos sociais, casos de saúde e os casos criminais diversos envolvendo essa droga avassaladora vividos por uma grande parcela da população brasileira, agora apareceu mais um melancólico caso. Um deprimente e desolador caso em que a mãe trocou a virgindade da sua própria filha de pouco mais de 10 anos de idade por algumas pedras de crack. Entregou a sua filhinha para uma monstruosidade sem precedência. Entregou a inocência de uma criança para um estuprador macabro, desalmado e cruel que também era um traficante de crack. O símbolo do amor puro que está no amor de mãe se rendeu ao poderoso crack.

Uma mãe viciada, na histórica cidade de São Cristovão, primeira capital do pequeno, mas bonito e aprazível Estado de Sergipe acabou por ceder a inocência da sua própria filha, uma garotinha que migrava dos 10 para os 11 anos de idade para um desumano estuprador-traficante de drogas no sentido de que o mesmo saciasse a sua frieza sexual animalesca, em troca de algumas pedras de crack.

O crack agora é capaz também de transpor, de matar o amor de mãe, que é o mais precioso, o mais profundo, o mais verdadeiro, o mais ardoroso, o mais fervoroso amor que pode existir.

Este impulso sentimental que é o mais sublime dos amores foi superado pela força sobrenatural do crack e, ao invés de confortar, destruiu, degradou, sobretudo desvirtuou o sentido real do amor que aquela mãe tinha pela sua filha. O amor de mãe que não tem ganância, não tem egoísmo, não tem orgulho, não tem o sentido de posse, não tem o princípio de fomentar a maldade e a ignorância do bem, que busca a simplicidade, a humildade e abnegação acima de todas as coisas da matéria foi de tudo ultrajado pelo crack.

É realmente uma triste, trágica e inconcebível realidade ocorrida naquele município que contrasta com o seu povo pacato e ordeiro. É o fundo do poço pelo crack...

*Archimedes Marques - Delegado de Polícia no Estado de Sergipe.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A pobreza existe

A pobreza existe e envergonha desenvergonhados políticos, por isso muito se faz para que seja reduzida a uma expressão menor. Os reformados com pensões de miséria, os desempregados de longa duração, os jovens que lutam pelo primeiro emprego, os deficientes, são o rosto da pobreza que cresce a ritmo assustador.

A vida hoje é uma autoestrada em que temos pouco tempo para sair dela e olharmos o mundo da pobreza. A vida moderna, os desafios materialitsas que se apresentam aos jovens empregados sobre a ilusão da perfeição profissional, levam-nos a não olhar para o próximo que sofre. Não fosse este o estigma da nova sociedade, deixariamos essa auto-estrada e, como o disse o Papa Bento XVI no encontro com as organizações da Pastoral Social a que tive a oportunidade de assistir, voltaríamos para a prática da compaixão, voltada para os pobres, os doentes, os presos, os sós e desamparados, as pessoas com deficiência, as crianças e os idosos, os imigrantes, os desempregados e os sujeitos a carências que lhes pertubam a dignidade de pessoas livres“.

O distrito de Setúbal é marcado por sinais de profunda pobreza que se agrava nos últimos 20 anos e mais fortemente no decénio que agora acaba. Não falo da pobreza medida pelas estatísticas forjadas por governos irresponsáveis. Vivemos um país em que as medidas anti-crise têm sido paliativos para agravar as desigualdades sociais. Ao slogan da esquerda revolucionária de que os ricos que paguem a crise“, esquerda em agonia, responde hoje o governo socialista com um conjunto de medidas em que alteram o slogan para os pobres que paguem a crise“, tudo porque assim se combate o benefício fiscal concedido à Coca-Cola. Por vezes o silêncio é de ouro e o Primeiro-ministro muito teria a ganhar se alterasse a sua arrogância.

A ajuda aos excluídos restringe-se às instituições de solidariedade social, IPSS, Misericórdias, Mutualidades, ao mecenato social, que começa a ficar cansado por se cada vez mais difícil dar, conjunto de actividades sociais que surgem na literatura económica de 1830 designadas como economia social e, mais recentemente, em 1979 a que J. Delors chama terceiro sector, mas a que eu prefiro chamar sector solidário. Em Portugal temos cerca de 5.000 instituições solidárias e no distrito cerca de 200, "impelidas a buscar soluções para os pedidos numerosos e prementes de ajuda e amparo que nos dirigem os pobres e marginalizados da sociedade“, utilizando as palavras Bento XVI, porque elas exprimiram a realidade que se vive em Portugal e ditas com frontalidade para os políticos ouvirem, se não continuarem a fazer “ olheras de mouco “, como se diz na minha terra natal.

A sociedade perdeu o sentido de humanização, da prática da caridade, referindo-se mesmo com malidicência aos milhares de voluntários que dão do seu tempo vida às instituições da rede solidária como líderes servidores. O Papa deixou uma mensagem a todas as instituições sociais e à sociedade para que “tomados pela compaixão pelas multidões que pedem justiça e solidariedade, esforcemo-nos por dar respostas concretas e generosas“. A multidão que pede justiça e solidariedade, comer para cada refeição, respeito pela sua dignidade humana, é a multidão que não vimos daquela auto-estrada da vida a que me referi em expressão figurativa.

A pobreza existe mas a pressão exercida pela comunicação política constrói na sociedade ideias de avaliação negativa. Não vou negar que há pobres que tomam o pequeno-almoço num café e a maioria dos trabalhadores remediados o preparam em casa por razões de economia familiar. Não vou negar que as situações de subsídio-dependência permite a muitos pobres andar anos e anos sem trabalhar quando a maioria da população percorre quilómetros para chegar ao seu emprego. Não vou negar que no R.S.I. existem injustiças e oportunismos. Não vou negar que os responsáveis pela situação não são os pobres mas políticos sem noção do que é gerir e servir um país.

Se é necessário alterar o caminho que percorremos para ir de encontro aos pobres, Bento XVI desafia as instituições sociais para “seja clara a sua orientação de modo a assumirem uma identidade bem patente: na inspiração dos seus objectivos, na escolha dois seus recursos humanos, nos métodos de actuação, na qualidade dos seus serviços, na gestão séria e eficaz dos meios“. E continua o seu pensamento dizendo que “além da identidade e unida a ela, é conceder à actividade caritativa autonomia e independência da politica e das ideologias, ainda que em cooperação com organismos do Estado para atingir fins comuns“. O conceito de subsidariedade mas independência é a forma das instituições sociais estarem com a pobreza, porque esta existe. E se existe!

Livro "A África responde a Sarkozy" é apresentado em Luanda


Luanda - O livro intitulado “A África responde a Sarkozy”, de 22 autores africanos, foi apresentado hoje, em Luanda, numa cerimónia ocorrida à margem do ciclo de conferências promovido pelo Ministério da Cultura no âmbito das celebrações do Dia de África, a assinalar-se a 25 deste mês.

O acto de apresentação do livro em Angola contou com a presença de um dos seus autores, o economista senegalês Demba Moussa Dembélé.

Demba Moussa Dembélé, que se encontra em Angola a propósito das celebrações do Dia de África, fez saber que o teor do livro serve para responder ao presidente francês Nicolas Sarkozy, que no seu discurso proferido na Universidade Cheikh Anta Diop, no Senegal, a três anos, apresentou uma imagem negativa de África.

A resposta, idealizada pelo ex-ministro da Cu

ltura senegalês, Makhily Gassama, teve grande impacto em alguns países africanos e na Europa, tendo em conta que especialistas de várias áreas do saber juntaram-se para responder o presidente francês.

“O livro motivou várias conferências e debates, principalmente em França, o que levou a encontros de intelectuais franceses como os conselheiros do próprio presidente francês”, disse.

Há a necessidade de unir África, defendeu, voltando aos ideais de Nkwame Nkrumah, e para que não se ocidentalize o continente deve-se manter a união de modos a que em conjunto se possa solucionar os principais problemas.

Por seu turno o director do Instituto Nacional das Industrias Culturais (INIC), António Fonseca, disse que o livro trás 22 posicionamentos de intelectuais africanos, entre escritores, historiadores, economistas que responderam um discurso proferido há três anos.

Face ao seu posicionamento sobre o continente africano, acrescentou António Fonseca, estes intelectuais decidiram dar voz a discordância com o ponto de vista do presidente francês, daí que estes trazem uma visão contemporânea de África, contrariando as responsabilidades que são imputadas aos africanos sobre o tráfico negreiro, a pobreza, entre outros assuntos.