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domingo, 7 de junho de 2009

O desafio do grito de guerra

Antes do jogo de ontem torcidas de Inter e Coritiba travaram batalha

Diogo Olivier, Enviado Especial/Curitiba | diogo.olivier@zerohora.com.br

Antes do jogo de ontem no Couto Pereira, com o estádio ainda à escura, porque os refletores demoravam a acender, houve um instante em que as duas torcidas resolveram travar uma batalha de gritos de guerra.

Com um detalhe: as torcidas não duelavam ao mesmo tempo. Uma esperava a outra cantar um pouco até entender a letra e o ritmo. E assim foram por uma meia hora, como se estivessem trocando experiências para renovar o repertório logo ali adiante. Algo assim como um workshop.

Os colorados ficaram atrás da goleira da direita de quem viu o jogo pela RBS TV. Ali cabiam 6 mil pessoas, mas a polícia militar, por questões de segurança, só permitiu a venda de 3,4 mil ingressos.

Tapumes e uma fileira de soldados isolaram o local reservado aos visitantes do setor de cadeiras do Coritiba. A Popular do Inter pendurou os seus trapos, acendeu os sinalizadores e, aos poucos, foi tomando conta daquele setor.

A Império Alviverde, maior e mais temida torcida organizada do Coritiba, postou-se no lado oposto, como de costume, atrás da outra goleira. Os colorados começaram o espetáculo com o seu cartão de visitas:

– Ô, vamos, vamos Inter, vamos, vamos Inter...

Ao que a torcida do Coritiba, assim que pegou o ritmo, manteve a letra mas acrescentou uma palavra impublicável, embora engraçada do ponto de vista da brincadeira:

– Ô, tomar ... Inter.

Quando queriam provocar mesmo os seus adversários, os colorados emendavam:

– Ão, ão, ão, segunda divisão. Ou, ainda:

– Ão, ão, ão, cem anos na primeira divisão – em referência ao fato de o Inter nunca ter experimentado o gosto da Série B, enquanto o Coritiba já caiu mais de uma vez.

Como resposta, aí sim, xingamentos de toda espécie por todos os lados, além de vaias. Em seguida, veio um antigo mantra de incentivo local:

– Coooooooxa....

Quando o Coritiba entrou em campo, o show paranaense foi digno de aplauso. Enchidos pelos torcedores que os encontraram nas cadeiras, os 9 mil balões brancos e verdes formaram a sigla CFC no estádio. Mas aí já havia luz de sobra. E era preciso acompanhar um jogo tenso.

Então, as torcidas esqueceram um pouco a oficina de cânticos e passaram a se preocupar em animar os seus próprios jogadores.

Estava, com temperatura perto de 0ºC, começando a luta quente por uma das vagas na final da Copa do Brasil.

ZERO HORA

OEA declara fim da Guerra Fria nas Américas ao abrir as portas a Cuba

"A Guerra Fria acabou neste dia em San Pedro Sula", clamou o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, depois de ser aprovada por unanimidade a resolução que reverte a decisão de 1962 de afastar Cuba, por ter aderido ao bloco comunista.

O embaixador do Brasil na Organização de Estados Americanos (OEA), Ruy Casaes, congratulou-se com a anulação de "uma relíquia que remontava àquela época" - uma decisão adotada quase 20 anos depois do fim da Guerra Fria.

"Não estamos interessados em velhas batalhas ou viver no passado", afirmou o encarregado para a América Latina do Departamento de Estado, Thommas Shannon, que chefia a delegação americana, depois da partida da secretária de Estado, Hillary Clinton.

Shannon afirmou que a decisão e os passos concretos já dados pelo governo de Barack Obama para aproximar-se de Havana em meses passados "representam a maior mudança de nosso enfoque sobre Cuba nos últimos 40 anos".

"A resolução de hoje dá resposta a uma divisão histórica" no continente, acrescentou Shannon.

"Não existem mais tabus dentro da OEA, todos os assuntos podem ser debatidos" depois desta quarta-feira, destacou o chanceler do Uruguai, Gonzalo Fernández.

O chanceler Nicolás Maduro da Venezuela afirmou que este dia marcará o início de "um novo tipo de relação entre as elites dos Estados Unidos e de nossos povos", citando conflitos de Washington com povos da América Latina.

Ao aprovar a resolução, a OEA deixa nas mãos de Cuba decidir se deseja ser reincoporada, para o que deve aderir aos princípios democráticos da organização, segundo o texto aprovado na 39ª assembleia que se encerra nesta quarta-feira em San Pedro Sula.

du/fj/sd
A OEA deu por enterrada definitivamente nesta quarta-feira a Guerra Fria no continente, ao abrir as portas, numa reunião, em Honduras, a um retorno de Cuba, quase meio século depois de sua exclusão.

terça-feira, 2 de junho de 2009

ONU entra em Gaza para investigar crimes de guerra

(Folhapress) - Uma delegação da ONU (Organização das Nações Unidas) chegou ontem ao território palestino da faixa de Gaza para investigar possíveis violações dos direitos humanos durante a ofensiva israelense ocorrida entre dezembro e janeiro últimos que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos, na maioria civis. O grupo permanecerá em Gaza por cerca de uma semana e se reunirá "com todas as partes envolvidas, incluindo ONGs, agências das Nações Unidas, vítimas e testemunhas de violações denunciadas, assim como com outras pessoas que possam oferecer informação relacionada aos fatos investigados", informou.
O porta-voz palestino dos postos fronteiriços, Adel Zurob, deu as boas-vindas à delegação no cruzamento de Rafah e pediu que trabalhe "extensamente para revelar os crimes e condenar e perseguir os criminosos de guerra israelenses". O líder do grupo é o sul-africano Richard Goldstone, ex-promotor dos tribunais internacionais para a antiga Iugoslávia e Ruanda. "Nós viemos para ver, aprender e falar com as pessoas de toda a sociedade. Pessoas comuns, do governo e da administração", disse Goldstone à mídia antes de cruzar a fronteira entre o Egito e Gaza. Com ele viajam 14 especialistas legais, como a professora de direito internacional Christine Chinkin, a jurista Hina Jilani e o coronel reformado do Exército irlandês Desmond Travers.
Grupos de defesa dos direitos humanos, como a ONG Human Rights Watch (HRW), acusam Israel de ter cometido crime de guerra pelo uso indiscriminado de fósforo branco em regiões densamente povoadas, por produzir queimaduras e problemas respiratórios em muitos civis. Há ainda denúncias de assassinato de civis inocentes, ordens para atacar deliberadamente equipes médicas e uso de crianças como escudo humano.
Israel rejeita colaborar com a delegação, a qual considera "parcial". O porta-voz da chancelaria israelense Yigal Palmor afirmou que a delegação quer provar que Israel é culpado "mesmo antes de a investigação começar".